CINEMA

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PRODUÇÃO LOCAL SUPERA EXPECTATIVAS

Autores londrinenses embarcam na produção de curtas

"O cinema tem privilégios. Assim como a vida, ele não tem sentido. Aliás, não precisa ter. Seu objetivo é confundir, ampliar, redimensionar a pretensa imagem que temos do mundo e de nós mesmos. Para isso, ele não deve explicar, encerrar, definir nem propor. Cinema é algo inacabado, em fluxo, fragmento. Quase invisível. Quase..."

Um novo conceito de cultura vem surgindo em Londrina com relação ao cinema. Muito além de exibições de películas em salas comerciais, produtores, cineastas, atores, diretores e um público bastante interessado vêm, há algum tempo, trabalhando duro para conseguir estimular uma cultura audiovisual ativa na cidade.

Embora longe de se tornar uma preferência unânime, os londrinenses estão cada vez mais acostumados com exibições de filmes nacionais e com a idéia de produzir cinema na cidade. Apesar do conservadorismo ainda presente diante de uma novidade, existe um segmento que acredita e investe na ação.

Com a Lei de Obrigatoriedade e Exibição, implantada em meados dos anos 80, permitiu-se que os filmes pudessem ser exibidos em salas comerciais. Mais tarde, a Lei do Audiovisual estabelecida pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), possibilitou que novas produções cinematográficas fossem feitas de uma maneira mais dinâmica e madura.

Em Londrina não podia ser diferente. Foi criado em 2003 o Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), uma Organização Não Governamental (ONG) que tem como objetivo promover a cultura audiovisual através de produção, exibição e preservação de filmes, além da realização de cursos, oficinas e palestras. Profissionais de alta qualidade são selecionados para fazer parte da equipe. "A maior preocupação é com a qualidade dos filmes e não tanto com a idéia de vender ou não os mesmos", comentou Bruno Gehring, Produtor Executivo do curta "Maria Angélica", que está sendo produzido na cidade (leia texto nessa página).

Contudo, Argel Medeiros, Diretor de Produção de "Maria Angélica", afirma que a ONG tem se deparado com dificuldades para concluir o projeto diante de questões financeiras.

INVESTIMENTO

Algumas empresas já têm a consciência de como é caro fazer cinema e de quão importante é ajudar a expansão da cultura no país. Porém, Medeiros conclui que muitas dessas empresas que têm intenção de ajudar só o fazem se o projeto estiver de acordo com a Lei Rouanet (a lei está disponível no site www.cultura.gov.br). "Há uma burocracia muito grande", lamenta. Segundo ele, isso faz com que os idealizadores do projeto se sintam presos para seguir adiante conforme planejado.

O apoio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) que viabilizou uma verba de R$ 79.698,20 para o curta "Maria Angélica", por exemplo, foi suficiente apenas para o início das gravações. Boa parte das despesas foi por conta de algumas empresas da cidade e inclusive do próprio diretor. Para a edição e finalização, já é outra história. "A parte final é como se você começasse um outro filme", explicou França.

Além do patrocínio direto com empresas, a equipe de produtores tenta conseguir um editor de experiência que eleve o nível do filme para apresentá-lo à Lei do Audiovisual, chegando assim ao processo esperado para a finalização.

O "filho" mais novo

Atualmente vem sendo produzido, "Maria Angélica", um curta-metragem com direção e produção do jornalista e roteirista Francelino França. A história trata de questões existenciais apresentando a agressividade de uma mãe contra a filha de nove anos, ao se sentir culpada por ter matado acidentalmente o filho recém-nascido. O refúgio para a garota é o cemitério, local onde a mãe religiosamente cumpre uma promessa. Naquele território, a menina se sente livre, sem opressão e violência, e fala com amigos imaginários, crianças já falecidas, além de um intrigante coveiro. O pai da garota acompanha tudo com uma atitude passiva diante do comportamento da mulher, seguindo para um final que promete ser surpreendente. "Maria Angélica é um filme de alta complexidade. E o resultado está ficando melhor que o esperado", diz o diretor. França ainda afirma que o público, nesse caso, é generoso e sabe que é refém de uma imagem que vem de fora e que quando se vê diante da oportunidade de ter sua história representada na tela, identifica-se muito. (JN)

NOTA

O diretor do curta, Francelino França, faleceu no dia 09 de setembro, em Londrina, em decorrência de falência do intestino. Segundo o pai de França, há 14 anos o filho lutava contra problemas de saúde.


SERVIÇO

O curta "Maria Angélica" tem direção de Francelino França e conta com Bruno Gehring (Produtor Executivo), Argel Medeiros e Nádia Val (Diretores de Produção), Milton Dória (Diretor de Fotografia) e Denise Lezo (Diretora de Arte). É um filme de ficção para todas as faixas etárias e com duração de aproximadamente 15 minutos. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2007.

Sobre Mostras e Festivais de curtas-metragens, acesse o site: www.kinoarte.org.br. Para mais informações, patrocínio ou apoio cultural, entre em contato com a produtora do filme, na Rua Mato Grosso, 299/ sala 1202.



Folha Metropolitana Edição I - 2006/ Faculdade Pitágoras - Londrina | Foto: Bruno Ghering

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